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Instagram @annamviana

Depois que me coloquei pra fora de nós duas, de dentro de você, comecei a procurar tudo aquilo que diziam combinar comigo, uma pessoa legal, um sorriso bonito, um bar bacana e uma cerveja gelada. E fui. Olha lá no espelho, até parece, imagina se eu tiver filhos, vão ser lindos. Filhos. Casa. Rotina. Pizza. Cinema. Família. Torci a boca imaginando essas palavras e encaixando todas elas entre eu e aquelas pessoas supostas vendedoras de toda e qualquer felicidade instantânea feitas pra mim(?), ou talvez pra outras pessoas. Elas não tem sua mania de lotar a comida de shoyu, acabar com todos os grãos de arros do prato, tique com arrumação das gavetas, ou vício em rinossoro. Elas gostam de expor em redes sociais, abraçam quando alguém olha, sorri pra estranhos. Porque que tudo aquilo não combinaria quando eu pensei em ‘família’? E não combinou. Quando pensei em casa, tv no volume médio, cinema no domingo, pizza, eu só pensei nas suas manias irritantes. Na tv no volume e nos filmes que você gosta, cinema sem muita gente mas com comida japonesa com o seu shoyu logo em seguida, e a pizza de shimeji do outro lado da rua. Quando olhei no espelho, parecia um borrão no lugar que era seu, alguém que podia muito bem ser o quebra cabeça de muita gente, a combinação perfeita pra uma capa de revista ou propaganda de ‘par-perfeito’, mas a cerveja ficou sem graça, o bar ficou sem sentido e o sorriso ainda não parecia o seu. Saí correndo, correndo atras das suas bobagens, suas manias, suas birras e manhas. Saí correndo atras da minha metade tão antiga, da combinação mais clichê e babaca, com gosto de anos noventa num sofá rasgado. A gente sempre sabe como isso termina: eu assim, nos seus braços te contando como é patético tentar andar sozinha. E você (so)rindo, fazendo questão de me lembrar sempre, as razoes do porque eu volto. E eu voltei outra vez.

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